Mostrando postagens com marcador Hayao Miyazaki. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Hayao Miyazaki. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de julho de 2014

Castelo de Cagliostro




Bem-vindos de volta a Ni no Kuni. Nesse vídeo, vou falar sobre o filme Castelo de Cagliostro, o primeiro longa dirigido por Hayao Miyazaki. Esse é um filme da era pré-Ghibli, lançado em 1979 pela TMS.

O nome completo do filme é algo como Lupin III: Castelo de Cagliostro. Não é Lupin III porque tivemos outros dois filmes, Lupin I e Lupin II, e sim porque o personagem se chama Lupin III. Esse personagem aparece em uma série de mangás e em outros projetos e virou um longa-metragem depois.

Resumindo o enredo, o filme conta a história de Lupin, um ladrão procurado pela Interpol que conta com o auxílio de seu parceiro, Jigen. Lupin age com o auxilio de uma série de apetrechos para ajudá-lo em seus roubos e também com grande agilidade e inteligência.

Enquanto estavam os dois na estrada, veem uma garota vestida de noiva dirigindo um carro sendo perseguida por outro carro cheio de caras mal encarados. Eles vão ajudá-la, se livram dos bandidos, mas Lupin acaba se dando mal. A garota ainda tenta fugir, mas é capturada enquanto Lupin estava inconsciente.

A garota tinha deixado cair um anel, que intrigou Lupin. Esse anel está associado com um grande segredo do condado de Cagliostro, que reserva um grande tesouro. Assim, Lupin vai ajudar a garota por duas razões que muito o motivam: por ela e pelo tesouro. Ele descobre que a garota é Clarissa, princesa de Cagliostro, que vai se casar com o Conde de Cagliostro, que é o vilão do filme.

Lupin então precisa impedir esse casamento e descobrir mais sobre os segredos do Castelo de Cagliostro, onde Clarissa é mantida presa. Não vou falar sobre cada parte do enredo, mas vou falar sobre alguns personagens. O primeiro é o Conde, que não é apenas um canalha, mas um criminoso que falsifica dinheiro de tudo quanto é país.

Outro personagem é o Inspetor Zenigata, que trabalha para a Interpol e está atrás de Lupin para prendê-lo. Ele vai a Cagliostro para esse fim, embora o Conde não esteja muito a fim de sua ajuda. O Conde tem uma série de armadilhas em seu castelo e vários capangas que parecem ninjas com garras super afiadas. O Inspetor acaba caindo em um fosso, onde Lupin também vai. Os dois cooperam para sair de lá e acabam descobrindo os segredos do Conde. Depois que sai, informa a Interpol sobre o esquema de falsificação de dinheiro, mas não é ouvido.

Outra personagem interessante é Fujiko, que trabalha no Castelo servindo a Clarissa, mas na verdade é uma espiã investigando o Conde. Quando Lupin tenta resgatar Clarissa pela primeira vez, ela revela o seu disfarce e tenta ajudar Lupin e Clarissa, com granadas e metralhadoras.

O clímax do filme é o casamento de Clarissa e do Conde, que, claro, Lupin consegue atrapalhar e salva a princesa do Conde. Ao mesmo tempo, Fujiko e Zenigata conseguem provas indiscutíveis sobre a falsificação de dinheiro, ela agindo como repórter e gravando o flagra armado por Zenigata. Lupin e Clarissa precisam fugir do Conde e seus homens e no final acabam descobrindo os segredos do Castelo de Cagliostro.

No final, não, Lupin e Clarissa não ficam juntos. Ele a salvou do Conde, acabou com o vilão e agora ele voltará a outros trabalhos como ladrão e também precisa fugir da Interpol. Ela se oferece para ser sua parceira do crime, mas ele nega e se vai, o filme terminando com ele sendo perseguido por Zenigata.

Esse é o básico do filme. Minha opinião: não é nenhuma obra-prima, mas é um filme de ação bem competente, com um bom ritmo e também com várias reviravoltas. Quando você pensa que Lupin está na pior, ele arranja um jeito de mostrar que não está, e quando parece que está tudo fácil, seus inimigos dão um jeito de virar o jogo. O espectador fica o filme inteiro se perguntando: E agora?

O foco do filme é mais na ação do que na parte de aventura, de explorar terras desconhecidas e conhecer lugares diferentes. Quase toda a ação se passa no Castelo de Cagliostro e seus vários perigos. Isso é uma coisa diferente dos filmes do Miyazaki, ou, colocando na ordem certa, os filmes futuros do diretor não seguiriam tanto a linha da ação e mais da aventura e da fantasia. É um filme com pouca fantasia, não é um filme "mágico".

No fim, não é dos melhores filmes do Miyazaki, mas é bem envolvente e divertido.

Kiki




Bem-vindos de volta a Ni no Kuni. Nesse vídeo, vou falar sobre o filme Serviço de Entregas Kiki, dirigido por Hayao Miyazaki e lançado em 1989.

Primeiro, um resumo do enredo. O filme conta a história de Kiki, uma bruxa de 13 anos que pela tradição tem que sair de casa com essa idade e ficar um ano sozinha fora de casa como uma forma de se desenvolver. No começo do filme, vemos a saída de casa de Kiki e sua ida para uma cidade qualquer nos arredores de sua vila. Ela vai acompanhada apenas pelo seu gato preto, o Jiji, que é falante, mas apenas as bruxas os entendem. Como uma boa bruxa, ela é capaz de voar em uma vassoura.

Chega em uma cidade litorânea. Ela entra na cidade voando na vassoura, e as pessoas da cidade não estranham muito isso. De início, se atrapalha toda com o trânsito e leva uma enquadrada de um policial. É salva por uma confusão armada por um garoto chamado Tombo, que começou a gritar ladrão para distrair o guarda. Esse garoto parece o Philip do Ni no Kuni, aliás. Tombo puxa conversa com Kiki, que não simpatiza muito com ele e literalmente sai voando.

Ainda tentando se ambientar na cidade, Kiki ajuda uma senhora, que precisava entregar uma chupeta para uma mulher que havia esquecido em sua padaria. Kiki faz o favor de levar a chupeta voando. Depois disso, a dona da padaria, Osono, aceita ajudar Kiki deixando que ela fique no sótão. Kiki decide ajudar na padaria e também abrir um serviço de entregas.

Logo de cara, Kiki tem um serviço com uma cliente da padaria. Ela deve levar para a casa da cliente uma gaiola com um gato de pelúcia, que parece o Jiji. Pode parecer uma excelente ideia uma bruxa voando em uma vassoura fazer serviço de entregas, já que ela não depende do trânsito, mas o clima pode ser um problema. E foi logo no primeiro trabalho, uma forte ventania derrubando Kiki em um ninho de corvos.

Até aí, tudo bem, ou quase, já que ela é atacada pelos corvos. O problema é que ela perde o bichinho de pelúcia que estava na gaiola. Como está em cima da hora e como o Jiji parece o bicinho, a solução é o Jiji fazer o papel do bicinho enquanto ela procura pelo verdadeiro. E Jiji entra em uma bela fria, tendo que aturar não apenas um garotinho cheio de energia com seu novo brinquedo, mas também o seu cachorrão.

Kiki encontra o gato em uma cabana no meio da floresta. Encontra a dona da casa, uma artista que estava desenhando corvos. Ela aceita dar de volta o brinquedo, que, no entanto, está com um rasgo. A artista que se chama Ursula, não lembro se em algum momento falam o nome dela, aceita consertar, desde que Kiki faça uma faxina na casa dela.

Enquanto Kiki arruma a casa de Ursula, a artista conserta o bicinho. Kiki vai até a casa onde deveria fazer a entrega enquanto o cachorro pega Jiji na boca e o leva para fora. E ai descobrimos que o cachorrão é gente boa e que estava ajudando Jiji e fugir. Kiki dá o bicinho para o cachorro e eles voltam para a padaria.

Um dia, Kiki tem que fazer dois serviços de entrega e é convidada por Tombo a ir a uma festa. Em um dos serviços, Kiki vai à casa de duas velhinhas. Era para que Kiki entregasse uma torta na casa da neta de uma delas, porém, a torta não estava pronta porque o forno elétrico não estava funcionando. Kiki ajuda no forno a lenha e ainda com outros trabalhos domésticos e depois entrega a torta na casa da neta, que se mostra uma figura bem mesquinha, dizendo que odeia as tortas da avó. Ela acaba não indo à festa, quer dizer, a festa é aquela que ela foi fazer a entrega, mas não volta a ela com Tombo. Tinha pego uma baita chuva na ida e na volta e se resfriou.

Quando se recupera, vai fazer uma entrega em uma casa. Era uma entrega armada por Osono para que ela encontrasse com Tombo. Ela faz a entrega e ele mostra o seu projeto, uma bicicleta voadora. Ainda não está com asas, mas ele chama Kiki para dar uma volta na bicicleta. Ia tudo muito bem, até encontrarem um trânsito mais pesado e Kiki ser obrigada a usar sua magia para escapar, mas, no fim, acabam caindo de um barranco.

Mas nenhum dos dois se machucou e ia tudo bem, até aparecer os amigos de Tombo, incluindo a neta da senhora. Kiki fica incomodada com essas pessoas e vai embora. Depois dessa ocasião, ela fica triste e começa a perder os seus poderes, primeiro falar com o gato, depois de voar.

Ursula vai visitá-la e a convida para ir à sua casa, onde Kiki ficou de ir para servir de modelo para a artista. As duas passam a noite juntas (no bom sentido), Ursula desenha Kiki e as duas conversam. No dia seguinte, Kiki liga para a padaria e Osono diz que a senhora do outro dia tem um serviço para ela. Mesmo sem ainda poder voar, ela vai até lá.

A senhora dá um bolo de presente para Kiki por tudo que a bruxinha fez por ela. Na TV, veem um acidente com um dirigível e Kiki vê que Tombo está encrencado, o dirigível voando a esmo e Tombo ficando dependurado nele. Kiki vai ajudar Tombo. Encontra um senhor com uma vassoura e a pega emprestada. Kiki consegue voar, mas tem dificuldades, não tanto pela tristeza, que já estava passando, mas porque essa vassoura não foi feita para isso.

No fim, Kiki salva Tombo e vira heroína na cidade. Nos créditos, onde vemos mais algumas cenas sem falas, vemos que Tombo conseguiu fazer a bicicleta voadora e uma cena interessante em que Kiki olhava para um vestido que queria, e vê uma garotinha vestida como ela. Kiki acabou virando uma celebridade na cidade e no final do filme parece estar muito feliz.

Basicamente, o filme conta a história do crescimento e amadurecimento de uma garotinha. Vemos aqui alguns dramas comuns de garotas dessa idade, como lidar com garotos, ter que fazer trabalhos domésticos (e outros trabalhos também) e lidar com outras garotas de sua idade. Pensei que esse último tema seria mais explorado, mas acabou não sendo. O filme foi baseado em um livro, e talvez no livro esse tema seja mais bem desenvolvido. O final feliz do filme é Kiki se mostrando uma garota crescida e bem formada, mesmo que precocemente. Sobre o amadurecimento, Miyazaki diria que a perda da capacidade de falar com o gato, que na versão japonesa é permanente, é reflexo desse amadurecimento, já que Jiji é o reflexo do lado imaturo de Kiki. Eu vi isso na Wikipédia e achei legal.

Uma coisa interessante foi a quantidade de personagens esnobes, embora isso não seja algo principal. Contrariamente a maneira como a Kiki é, vemos uma bruxa também na fase de aprendizado fazendo pouco caso de Kiki, a neta da senhora que eu mencionei antes e até uma gata que virou a cara para Jiji. Faz um contraste interessando com os vários personagens bacanas do filme.

Em suma, é um filme bom do Miyazaki e que, como quase sempre, traz personagens bem marcantes, principalmente a Kiki, mas em menor escala a Ursula e o Tombo.

Porco Rosso




Bem-vindos de volta a Ni no Kuni. Nesse vídeo, vou falar sobre o filme Porco Rosso, dirigido pelo Hayao Miyazaki e lançado em 1992. Esse filme era até o lançamento do Wind Rises aquele que mais tocava em um dos temas mais queridos pelo diretor japonês, a aviação. É menos realista do que o Wind Rises, mas fala bastante sobre isso.

Primeiro, um resumo do enredo. O filme conta a história de um porco-aviador conhecido como Porco Rosso. Se passa na Itália, o Mar Adriático no período entre as Guerras Mundiais. Porco Rosso é um mercenário que é chamado no começo do vídeo para resgatar reféns sequestrados pela quadrilha de piratas do ar Mamma Aiuto. Porco aparece e acaba com a festa dos bandidos, mas seu avião começa a apresentar problemas.

Nas suas folgas, ele vai ao Hotel Adriano, beber umas e ouvir uma mulher chamada Gina cantar e depois conversar com ela. Eles têm uma relação mal resolvida que encontra na forma de Porco uma limitação. Ele nem sempre foi um porco, antes era uma pessoa de verdade e foi um aviador na Primeira Guerra Mundial.

Depois, Porco Rosso estava em seu refúgio quando foi chamado a enfrentar a Mamma Aiuto de novo. Porém, ele não atendeu o chamado e se dirigiu à Milão para consertar o seu avião.No entanto, encontra um aviador chamado Curtis, um americano chamado pela Mamma Aiuto para derrotar Porco Rosso. Com problemas técnicos, ele é obrigado a fugir, mas acaba abatido. No entanto, consegue sobreviver e leva seu avião para Milão.

Na fábrica Piccolo, pede para reconstruir o seu avião, mas o dinheiro que tem não é suficiente. Ele diz que uma vez que consertar o avião ele conseguirá pagar de volta a fábrica, e seu amigo acaba concordando com isso. O dono da fábrica tem uma neta, Fio, que trabalha com o avô na ausência dos filhos e netos dele, que foram trabalhar em outros lugares. Aliás, na fábrica de aviões, só tem mulheres trabalhando.

De início, Porco Rosso duvida da capacidade de Fio e reluta em deixar que ela trabalhe em seu avião, mas acaba sendo convencido. Fio é a projetista do avião e se mostra uma ótima meânica. Em dado momento, a polícia fascista vai atrás de Porco Rosso, que foge de Milão tendo Fio como co-piloto.

Seu plano é voltar para o Adriático e se vingar de Curtis, que enquanto isso dava em cima de Gina. Na volta para o seu refúgio, encontra a Mamma Aiuto. Aqui, Porco e Fio estão enrascados, mas com muita coragem Fio evoca a coragem e honra dos aviadores e evita que eles depenem o avião que ela construiu. Curtis aparece e Porco propõe a revanche. Curtis reluta, mas aceita desde que Fio aceite se casar com ele se ele ganhar, e ela aceita se ele pagar as contas de Porco se Curtis for derrotado.

O clímax do filme é o duelo entre os dois. Porco Rosso conseguiria abater Curtis, mas ele não quer matá-lo e busca a oportunidade para acertar o motor do avião de Curtis. Porém, na hora H a metralhadora trava. Para sua sorte, as balas de Curtis acabaram.

Porém, não pode terminar com um empate, alguém tem que vencer. Então, eles saem na mão mesmo. Em uma luta equilibrada, Porco acaba ganhando a luta. Gina aparece e anuncia que a força aérea está chegando. Porco e Curtis fogem e Fio, com as contas pagar, fica com Gina, não sem antes dar um beijo em Porco, que volta à forma humana. No final, o que ocorre após o filme é contado, Fio assumindo a presidência da Piccolo e ficando implícito que Porco Rosso pediu a mão de Gina.

Esse é um filme interessante. Tem um certo ar bonachão, por assim dizer, não é um filme que se leva muito a sério. Já no primeiro conflito fica a impressão de que não teremos mortes, apesar dos combates e de envolver bandidos como piratas. O clima do filme é bem leve até em seus momentos tensos. A luta entre Porco e Curtis é bem feia, eles ficam com uma cara bem machucada, que é mais engraçada de ver do que qualquer outra coisa. Fiquei com a impressão de que tudo se resolveria com uma guerra de torta na cara.

Mesmo assim, tem um pano de fundo bem interessante e várias referências históricas. O filme se passa no período entre as Guerras e faz algumas alusões à Primeira Guerra. Apesar de ser mostrado como um ótimo aviador, Porco diz que os seus colegas de esquadrilha que morreram na Primeira Guerra é que eram os bons aviadores.

Tem referências também ao fascismo, incluindo uma parada militar fascistóide. Porco Rosso diz que saiu da Força Aérea pois preferia ser um mercenário do que um fascista. A Crise de 1929 também faz parte do contexto histórico do filme, com várias alusões à Depressão e também o fato dos homens terem deixado a fábrica da Piccolo para procurar outro emprego.

Miyazaki diria em entrevista que os conflitos da época, ou seja, a Guerra da Iugoslávia que já estava se formando na época e começou um ano antes do lançamento do filme, também influenciaram a produção do filme.

Uma referência curiosa é a relação entre Curtis e o ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan, que foi um ator, assim como Curtis, e que depois se tornou presidente, como Curtis pretendia. Não sei se o quanto a referência é depreciativa para Reagan, mas o paralelo é inegável. O nome de Curtis, com um s só, é referência a Glenn Hammond Curtiss, com dois "esses" no final, que junto com os irmãos Wright fundou a Curtiss-Wright Corporation.

Como em todos os filmes do Miyazaki, ou ao menos na maioria, temos personagens femininas fortes. Temos Gina, que participa decisivamente do final indo de avião até onde Porco Rosso está para alertá-lo da aproximação da Força Aérea italiana e Fio. Apesar de ela se oferecer como troféu no duelo entre Porco e Curtis, ela o fez por ter certeza da vitória de Porco e do avião que projetou. Além disso, ela encarou os piratas falando grosso com eles. É uma personagem muito confiante e determinada, mas também romântica, tendo uma quedinha por Porco.

O próprio Porco é um personagem interessante. Tem uma certa dramaticidade por talvez se sentir culpado por ter sobrevivido quando muitos de seus amigos morreram na Guerra, inclusive achando que eles eram melhores do que ele. Além disso, é muito corajoso e competente, deixando a impressão de que ele pode fazer o que quiser, da forma que quiser, na hora que quiser, como mostrado no duelo com Curtis. É um herói que parece ter sempre tudo sob controle.

Túmulo dos Vagalumes




Bem-vindos de volta a Ni No Kuni. Nesse vídeo, vou falar sobre o filme Túmulo dos Vagalumes, que é do Studio Ghibli, mas não é do Hayao Miyazaki. Foi dirigido pelo Isao Takahata e se baseia no livro de mesmo nome de Akiyuki Nosaka sobre a sua experiência durante a Segunda Guerra Mundial e a morte de sua irmã por desnutrição. Por sinal, Nosaka, com 83 anos, ainda está vivo.

Sobre o filme. Ele conta a história de dois irmãos, Seita e Setsuko, que perdem os pais durante a Segunda Guerra Mundial no Japão sob intenso bombardeio dos Aliados. Eles fogem de casa e têm que se virar, e essa experiência acaba não dando muito certo.

Bom, o filme é certamente o mais triste do Studio Ghibli e um dos mais tristes que eu já assisti. Eu assisti duas vezes e nas duas eu chorei. A minha primeira ânsia de choro foi quando eles venderam o quimono da mãe deles e lá para o fim, quando a irmã dele morre, você já está se derramando em lágrimas. É um filme bem deprê, mas também é emocionante por outros motivos ao longo do filme.

Basicamente, o filme é sobre duas crianças que se recusam a abrir mão de sua infância. Eles teriam mais chance de sobreviver se ficassem na casa da tia deles, que era um tanto dura com eles. Lá pelas tantas, eles decidem fugir e viver por conta própria, mas era difícil arranjar comida naqueles tempos, o que dizer duas crianças sozinhas fazer isso. É bem emocionante ver os momentos de felicidade que eles ainda conseguem ter depois que fogem da casa da tia, e que não conseguiam enquanto estavam lá, e de partir o coração quando eles passam a ter dificuldade de achar comida, até o desfecho trágico.

É um dos filmes mais realistas do Studio Ghibli e também tem um tom mais seco, como não poderia deixar de ser, apesar de ter alguns momentos mágicos (não no sentido de irreal, mas de belo) em uma cena que meio que explica o porquê do título, Túmulo dos Vagalumes. E mesmo com cenas mais belas, o filme não deixa de ser triste e não tem nenhuma cena engraçada que eu me lembro, é um clima pesado do começo ao fim, começando pela introdução com o Seita falando sobre a sua história quase como um zumbi.

Uma coisa interessante sobre esse filme é que cita muito de leve, se bem me lembro, as bombas atômicas. Mas bomba é o que não falta no filme e isso mostra que, por mais destrutiva que foram, as bombas atômicas foram só mais duas lançadas contra o Japão. O filme mostra a guerra da perspectiva de crianças e mostra a perda humana que a guerra causou em um país que não era dos mais ricos na época e que já tinha lá os seus problemas sociais, como o Vidas ao Vento menciona também.

O site Time Out elegeu o filme como o 10º melhor filme sobre a Segunda Guerra Mundial, na frente de vários filmes mais famosos, e o crítico Roger Ebert disse que é um dos melhores filmes de guerra. Assim como o Mononoke Hime, eu estou falando de memória, e eu só assisti duas vezes, a última uns 8, 7 anos atrás.

Uma última coisa digna de nota é que o filme mostra, indiretamente, o valor da comida, na medida em que os dois protagonistas do filme passam severas dificuldades em arranjar comida e no final das contas um dos personagens acaba morrendo de fome. Ou seja, talvez sem intenção, é um filme também sobre o valor da comida.